CONJUNTO CONTRATEMPO

É difícil descobrir dentro da multiplicidade de artistas africanos a viver em Lisboa desde antes do 25 de Abril, uma banda com um percurso discográfico realmente tão independente e enigmático como o dos Conjunto Contratempo. Adeptos das Coladeras e um Funaná mais despojado, munidos de uma formação típica do rock (segundo os pergaminhos dos Bulimundo), nasceram à volta do Cacém pela mão de Zé Lino, guitarra-ritmo, voz e compositor. A ele se juntaram outros membros, dos quais ainda permanecem Manuel (teclas) e Pascoal (guitarra baixo). Começaram por volta de 1985, altura em que editaram o seu disco homónimo; e gravaram outros dois (Tchico Tchicote, 1987 e Menina Fiteira, 1990), todos eles auto-editados em vinil. A Iefe e a Sonovox fizeram reedições em cassete de alguns destes discos, mas a edição original e masters são detidos pela própria banda. Passando ao lado de modas, e aparentemente imunes à passagem do tempo, os Contratempo continuam em actividade nestes últimos 40 anos, apesar dum pequeno hiato, juntam-se numa garagem num edifcio enorme em Queluz, e recrutaram dois elementos novos (Sérgio na Guitarra e Rasta na Bateria); para ensaiar velhos clássicos; dezenas de músicas não editadas e outras novas que ainda se encontram a escrever

De Lisboa guardam como recordação os bailes aos domingos, num (saudoso) tempo em que os conjuntos de música africana tocavam, em média, entre 4h/5h por actuação, farras que se tornaram recordações indeléveis, para músicos e público, em “boates” de Norte a Sul do país.